uma vez, do mundo me perdi
outra- vez, do mundo caí
um dia, num sopro me cortei
outro dia, um conforto deixei
perdi um coração débil
caí numa estrada em precipício
cortei-me no sopro do vento que te levou
e que no teu conforto não mais me deixou
permiti que as palavras me fugissem
derramei no céu a luz que era tua
voou com o vento a lágrima de prata
que tanta dor me trata
um sorriso
um afago
um gesto conciso
sinal de amor eterno
mas já havia esgotado
já se espalhara na rotina dos dias
já cantava às esquinas proibidas
onde a tua presença é pecado
se eles não te querem
porque foges de mim
agora que a vida te sugaram
onde estão teus pedaços que me amaram
só te queria a meu lado
a dizer que tudo vai correr bem
mas há muito foste embora
há muito, há uma hora
